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O lixo que está dando certo

O lixo que está dando certo

As turmas da escola Sagrado Coração de Jesus, acompanhadas de uma cooperada, caminhando pelos bairros União e Nova União com o objetivo de conscientizar sobre o lixo que pode ser separado e reciclado, gerando renda e fechando um ciclo.

Crianças aprendendo matemática com pequenos montinhos de tampinhas coloridas. Um jogo de boliche e vasos de plantas feitos reciclando garrafa PET. Canudos de papelão que giram até acerta a palavra que combina com o desenho - as professoras e a diretoria da Escola Sagrado Coração levem a reciclagem do lixo muito a sério. Dão um banho em todos nós! Pensam alto. Sob a responsabilidade da pedagoga professora Alene Gomes da Silva os alunos estão concorrendo a um prêmio nacional. O projeto: "Aprende com o boto sobre a importância da preservação do patrimônio público da vila de Alter do Chão" foi elaborado dentro da "Educação fiscal"  http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/43851-educacao-fiscal.

O nome Educação fiscal parece um pouco assustador, outros estados chamam a mesma matéria de educação fiscal e cidadania, mas todos pretendem transformar os alunos em cidadãos preparados e responsáveis que conhecem os seus direitos e sabem fiscalizar para onde vai o seu imposto. Se comportar de maneira responsáveis tem tudo a ver com meio ambiente e preservação do mesmo.

Frases de impacto e pequenos guardiões da limpeza

Uma placa na escola dá o tom indignado:

"Se você não joga lixo no chão da sua casa, por que vai jogar no chão da sua cidade?"

A escola faz muitas atividades e em cada uma usa muito material reciclado. Para o aniversário da vila fizeram placas com frases educativas e na própria escola tem todo dia dois alunos encarregados de ser os guardiões da limpeza. Tudo esse processo educativo iniciou quando a sujeira entrou na própria escola. Sem muro, o quintal da escola começou a receber descartes de lixo. Atentos, as professoras viraram o jogo. E agora estabeleceram uma parceria com a Coopresan, a cooperativa de coletores de lixo de Santarém, que elegeram os bairros de União e Nova União para um projeto-piloto: SEPARAÇÃO DE LIXO! Já ganharam uma das casas que recebe resíduos recicláveis e já fizeram uma grande ação em conjunto indo de casa em casa para concretizar as pessoas. Depois farão uma oficina para o bairro confeccionar as próprias lixeiras.

Indo de casa em casa cada aluno entregou um panfleto junto com um desenho lindo de próprio punho

Panfleto da cooperativa Coopresan

Fala-se de colheita de lixo seletiva a professora Cicita Adad já observou na sua tese de doutorado sobre o tema que

"A interação entre os atores (sociedade, cooperativas envolvidas na coleta seletiva de lixo e órgãos públicos) ocorre de forma desconexa."

Tampinhas descartadas na areia

Ainda não caiu a fixa que lixo e o seu descarte devido é um problema de todos nós. A nova administração de Alter do Chão está aqui para comprovar o contrário mesmo que a vila é bem complicada com o seu sistema da cobrar mas não fazer a sua parte, achando que uns são mais iguais do que outros e aqui na vila pode muito que não é de bom tom em outros lugares. Dessa forma, restam duas possibilidades: Dar suporte à administração, fazendo o que é possível sem se importar muito com os outros e entrar no barco do progresso, e ajudar fazer a diferença. E cada um faz uma diferença gigante pensando nos seus filhos, nos turistas, em si mesmo ou no aquífero. Dessa maneira sabe responder o que para um dos turistas que observou, vindo de Tocantins, passando uns férias aqui em Alter do Chão:

"Nas barracas na praia, as latinhas e as garrafas de cerveja o garçom até leva embora. Mas as tampinhas das cerveja ele descarta, ops, simplesmente na areia. Já imaginou quantas tampas se acumulam num mês só, durante um ano? O que eles querem vender no futuro se eles não cuidam do agora, do presente?"

A brigada de limpeza da prefeitura confirma a observação. O centro e as praias de Alter de Chão tem o privilégio de serem limpos todos os dias. A tarefa é dividida. Donos de barracas são encarregados de uma parte, a prefeitura faz o restante, um acordo entre gestão municipal e as associações locais. Os donos das barracas são encarregados também de deixar o lixo recolhido em pontos de colheita pré-estabelecidos. Destaque especial tem o Sairé. Muitas pessoas de fora acumulam muito lixo que precisa ser descartado devidamente. Sabendo disso, este ano Alter ganhou pela primeira vez um ponto de colheita seletiva.

Casa de reaproveitáveis sendo instalada na praça Sete de Setembro. Foto Alexandre Rangel

A casinha colorida,  organizada pela cooperativa de catadores de lixo de Santarém, recebe tudo já separado. Depois do Sairé se instala rotineiramente uma grande limpeza de todas as praias de Alter. Mas o lixo, como todos nós sabem, não cai do céu. 

Placas na paria do Pindobal

A paria do Pindobal, mesmo com ortografia criativa dá um exemplo. Não entra carro na praia não e os restaurantes e pousadas pedem de não jogar lixo não. E já colocaram bem visível pendurada em cada barraca uma lixeira. O que não cai no chão não precisa ser recolhido depois. Alter por sua vez ganhou para o Sairé uns baldes de lixo pintados que foram distribuídos, mas ainda é pouco.

Latões distribuídos recentemente nas principais praias de Alter do Chão. Foto Alexandre Rangel

Vamos ver exemplos que fazem a diferença:

Márcia, uma mulher corajosa

Márcia apontando para a frondosa bananeira adubada com compostagem.

Márcia ajudando seu vizinho, o sr. Nardo Luiz Brito, a recolocar a faixa encomendada e paga por outro vizinho. A mesma faixa resolveu um grande lixão a céu aberto. Quem agradece demais é o ambiente e os turistas! Eles garantam que futuras gerações continuem desfrutando das belezas locais. 

Além do seu trabalho na Centro de controle de Zoonoses, onde trabalha Márcia da Costa Perreira no laboratório de análise de águas, ela toca junto com o marido a pousada Recanto Maguary no bairro Carauari. Márcia é corajosa, porque ela, bióloga de formação, não deixa ninguém mexer no paraíso dela. Outro dia voltou do aeroporto, o carro cheio de hóspedes. Um deles já estava na cerveja, tinha bebido a primeira lata, abriu a janela, e a lata se foi. Conta feita sem Márcia. A mesma, corajosa mesmo, freou o carro, deu marcha a ré e a latinha foi devidamente resgatada, esmagada com a alavanca na pousada e devidamente reciclada.

"Ele não tem ideia o que significa de catar o lixo dos outros sábados de manhã em pleno sol como a mutirão do nosso bairro Carauari já fez três vezes!" 

Cuidar do mais precioso que lhe foi emprestado, a natureza paradisíaca de Alter do Chão para ela é algo natural. Enfim, quem cuspe no prato que ele come. E ela, veja acima, faz mais do que sua parte.

Na pousada Maguari ela separa todo o lixo e acha isso a coisa mais normal do mundo. Márcia mostra com orgulha a bananeira frondosa e os mamoeiros com mamão perfeito que ela planta na terra enriquecida com todos os orgânicos da pousada, que antes era bem fraca. Quando o balde está cheio, ele é enterrado, coberto com terra e vira adubo. As plantas agradecem! Ela confirma que não tem mistério nem cheiro ou bichos. Importante é cobrir bem com uma camada de terra ou mais simples ainda, com a própria terra, retirado antes do buraco. Seria interessante não cimentar todo o quintal exatamente por causa disso. Outra sugestão que ela está dando aos seus hóspedes quando vão para os passeios na belíssima redondeza:

"Levem um saquinho junto, para, ao voltar do passeio até aquela praia deserta, já podem juntar e trazer de volta o seu lixo que é descartado devidamente na chegada."

Ativa no bairro AMACarauari é dela a idéia de organizar para cada casa de lixo que é sendo colocado, organizar na redondeza uma madrinha ou um padrinho. Essa madrinha, esse padrinho adota a lixeira e a mantém limpa e em bom estado.

 

Não subestime o poder das redes sociais

Alter do Chão é reconhecidamente um pequeno paraíso. Cabe uma alerta: Hoje em dia não se deve subestimar o poder de multiplicação de notícias, boas e ruins, verdadeiras e fakes nas redes sociais. Todos os responsáveis e envolvidos teoricamente tem conhecimento e consciência que o turista não quer ver sujeira, esgoto a céu aberto e outras barbaridades, especialmente quando está de férias. Estão trabalhando para colocar em prática a prometida balsa banheiro, bastante combatida internamente, com 10 banheiros, instalado no lado do rio e enfatizam que todo o esgoto que sai dos banheiros é tratado. Depois do escândalo da hepatite todo ano estão sendo feito  o teste de banhabilidade que sempre dá ótimos resultados e dessa maneira mostra que se cuida do que tem com o maior bem que tem - a natureza e as águas.

Uma mulher usa o poder das redes sociais há anos ao seu favor.

Rosângela, uma mulher de fibra

Rosângela na barreira que ela mesma improvisou, impendido o descarto de entulho orgânico que não a deixou mais entrar em casa.
As plantas da Rosângela parecem gostar muito do pneu descartado que os acolheu.

A rua é larga e termina abruptamente num abismo que está sendo aterrado aos poucos com material orgânico ao qual se mistura, colocado propositalmente ou não, muito caco de vidro, arrame farpado, PVC e outros materiais de construção que poderiam ser facilmente reaproveitadas.

Eletricidade não tem na casa dela não e a vida lhe deu muito a mastigar. Mas o seu cachorro, um resgate, é muito bem tratado. A história da artesã Rosângela Ferreira dos Santos, moradora de Alter do Chão, é longa e incomoda. Os vídeos caseiros flagrando depósitos e descartes de lixo, entulho e muito material de construção dela já ganharam várias vezes a devida atenção, não só no Facebook dela, mas também na televisão e nos jornais locais. Furiosa, porque impediram a entrada dela na sua casa, entulhando a rua em frente, ela não deixou barato não. A sua queixa apareceu recentemente no G1. Todos que lidam com descarte já sentiram a sua fúria a respeitam bastante.

A preocupação dela é verdadeira. E levante a mão quem acha que ela não tem razão! 

"Acho inacreditável que todos querem proteger o Tapajós, as suas águas etc., mas ninguém fala do gigante aquífero que está aos nossos pés que pode ser contaminado e coisa pior pelo descarte indevido!"

Lixo cai no limbo

Lixo aqui em Alter, não é só a Rosângela que consta, é uma coisa muito curiosa. Todo mundo produz, mas uma vez passado pelo portão da sua casa, ninguém quer mais saber dele. Todos o querem mais longe que for possível da sua casa. Ela conta de uma moradora perto do galpão dos botos que se viu obrigada de cercar um terreno que nem era dela para evitar que fosse descartado entulho lá. Dessa maneira começa um empurra-empurra que só poderia ser resolvido com muita boa vontade e a colaboração de todos os envolvidos. Mas mudar é difícil. A impressão é que não falta boa vontade e até colaboração pelo lado dos responsáveis para cumprir a lei Municipal 19.941 de 2015, institui a Política Municipal de Resíduos Sólidos e rege as diretrizes relativa a gestão integrada e ao gerenciamento dos resíduos sólidos (material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade) em Santarém.

Sorria, você está sendo filmado

Ao descartar no terreno baldio todas as folhas cuidadosamente juntado no seu quintal, devidamente amontoado e pronto para virar fumaça e cinzas, um vizinho me diz:

"Todas essas folhas - querem que eu vivo na sujeira? As árvores aqui sujam muito."

A solução criativa de uma desconhecida para o problema: Você tá sendo filmado, não jogue lixo aqui. Ajudou anonimamente resolver uma questão muito sensível mas essencial para o desenvolvimento e prosperidade de qualquer sociedade. Poucos minutos de dedicação para a separação do lixo doméstico ou material orgânico do quintal podem evitar danos significativos às pessoas e ao ambiente, economizar energia, matéria-prima, água e espaço de aterros e lixões; e ainda gerar renda.


 Apelando ao bom senso, a consciência e educação

Ser educado nunca fez mal para ninguém. E ser da hora menos ainda. Que tal achar legal de mudar de atitude e começar a separar o seu lixo? Muitos cidadãos de outros lugares do Brasil e no mundo já pratiquem isso. Não por obrigação, mas por livre e espontânea vontade. No bairro Carauari um grupo de voluntários reciclou material e fez cinco casinhas de lixo. 

Entulho antigamente descartado no terreno atrás da lixeira agora pode ser levado pela prefeitura.

Não precisa ser eco-chato, mas faz tão bem de levar todo o seu lixo reaproveitável  separadinho para uma das casinhas da Coopresan ou descartar separadamente na casinha linda logo depois da entrada de Alter do Chão.

Em Santarém funciona o Ecoponto da Celpa na praça São Sebastião. Lá se ainda recebe uns trocadinhos em forma de descontos na conta da luz. E pense positivo e combate as lendas urbanas que todo o lixo que você tão cuidadosamente separou vai ser juntado de novo lá no lixão. Os catadores te comprovam o contrário. Lendo no outro artigo que exige certa consciência com o próprio consumo,  você vai ver, que reciclagem é só a terceira opção, melhor seria evitar qualquer lixo. Mas reciclar, compostar ainda é melhor do que jogar na praia, ou dito com outras palavras, cuspir no próprio prato.Projeto para casas de lixo para Alter do Chão inteiro, elaborado por Alexandre Przewodowiski, que já rodou muito a procura de financiamento que nunca se concretizou.

 

Sonhar o que precisa

Perguntado o que poderia ser melhorado? A administração de Alter do Chão prometeu de estudar a proposta do sonho de uma coleta separado só de lixo reciclável, há muito realidade em outras cidades. E também prometa mais daquelas lixeiras de ferro que combinam de recolher numa lixeira só lixo doméstico, alumínio e PET. E quem sabe que a mesma administração não transforma o quintal da Rosângela numa grande composteira ao céu aberto. Um lugar onde as tão odiadas folhas e galhos de podas de quintais podem ser transformados em compostagem, resultando na famosa terra preta. Faltaria só uma daquelas máquinas que picotam tudo, galhos, troncos para ajudar na decomposição. E uma cooperativa de reaproveitamento de resíduos própria em Alter. As seguintes sugestões são fáceis a seguir: 

- Descartem o lixo adequadamente, ou colocado em sacos pretos próprios ou nos saquinhos de supermercado. e mais importante ainda - lixo deve ser colocado na rua bem perto do horário da colheita da prefeitura. Dessa maneira existe menos margem de ação para ratos, urubus e cachorros.

- Orientem todos os encarregados que trabalham na sua casa de descartar o lixo devidamente. Muitas vezes pessoas com menos instrução ainda não são acostumadas com bons costumes, mas falta só um empurrãozinho.

- Para evitar que urubus e cachorros rasgam os sacos, coloque os mesmos em lixeiras suspensas, de preferência tampadas.

- Se comuniquem! Mutirões ou puxiruns para catar lixo e a retirada de entulho maior como geladeiras e fogões descartados, podas de árvores de quintal etc. podem ser agendado com os responsáveis que sempre tentam colaborar dentro do possível e retirem quando estão com maquinário necessário. 

 

 

O BOTO - Alter do Chão
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