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Estou com a macaca! - Macacos de Alter do Chão - Macaco Guariba

Estou com a macaca! - Macacos de Alter do Chão - Macaco Guariba
Susan Gerber-Barata
mai. 30 - 4 min de leitura
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Seu nome em inglês - howler monkey - livremente traduzido como macaco que grita - diz tudo. O seu grito, pode ser de um animal só ou de todo o bando junto, e um dos sons mais assustadores que existem na selva. Varia, imita latidos, urros e roar, tudo muito potente graças a um osso chamado hióide. Esse osso forma uma caixa de ressonância poderosa, especialmente nos machos. Quem nunca os ouviu e não consegue distinguir de onde vem tanta som altíssimo e dependendo da região com um eco de outro grupo ou indivíduo que vai e volta. Esticam entre si por assim dizer um cabo de guerra de sons, um gritando contra o outro. Urros transmitidos a longas distâncias com o fim de evitar brigas, marcando os territórios dos grupos. São os bugios, popularmente também chamados des guaribas, fazem parte do grupo do gênero Alouatta. Esses das minhas fotos foram identificados como Bugio-de Mãos-Vermelhas-de Spix Alouatta discolor.  

Aqueles que flagrei no meu quintal sumiram de vista, mas ainda ouço seu canto poderoso a noite. Parece que sua permanência em um mesmo lugar depende da abundância de alimentos.

Guaribas não parecem, mas são bichos tímidos, se assustam facilmente com nossa presença e tentam fugir dos humanos. Não gostam mesmo da gente e são conhecidos por jogar galhos de lá de cima ou pior, urinar sobre quem enquadram como inimigo.

Comigo acontece o inverso. Os respeito profundamente. Vejo me neles que nem num espelho. Acho-os assustadoramente parecidos comigo, mesmo que não aprovo e não tento humanizar qualquer bicho. Não tem jeito. Interpreto na sua face negra e nua, acentuada com a barba característica, a cabeça dos machos parece ainda maior e a barba mais majestosa, sentimentos que me são muito familiares. Leio dos seus olhos extremamente expressivos. 

Me contam que já observaram filhotes adolescentes em prantos, chorando compulsoriamente, parecia choro humano - devem ter sido machos que foram expulsos do grupo. Parece que dispõem de um repertório variado de sons para se comunicar. Filhotes emitem sons curtos e prolongados. Jovens e fêmeas produzem sons entrecortados e graves, comunicando que devem se locomover, comer, ficar alertas ou as fêmeas são prontos para o acasalamento. 

A real realidade da selva é mais pragmática e nem um pouco romântica. A carne desses macacos é muito apreciada por indígenas e caboclos. Já ouvi relatos que a pessoa não era capaz de degustar o assado tão cobiçado. O que girava sobre o fogo  lembrava demais uma criança.

Animais imponentes, maciços, os Guaribas podem pesar até 7 kg e alcançar 70 cm de comprimento. Sua pelagem é comprida e sua cor varia tons de marrom, castanha, avermelhado ou preto. 

Fascinante também sua cauda que parece um quinto braço ou melhor um tentáculo de polvo. Em uso constante, parece sempre enrolado num galho, é usado independentemente. Muito musculosa e com a ponta livre de pêlos, dispõe de grande sensibilidade. Firmemente enrolada sustenta o corpo por muito tempo, deixando pernas e mãos livres para outros fins, por exemplo chupar uma manga suculenta. 

Guaribas são arborícolas e ocupam praticamente todas as alturas da floresta com preferência para o dossel e árvores emergentes. Se pudessem escolher, viveriam em florestas primárias, mas se adaptam a muitos tipos de florestas, até àos  pântanos e mangues ou às savanas da Amazônia. Se alimentam principalmente de brotos e folhas jovens. Adoram flores e os frutos da embaúba como muitos outros bichos também. Mas ao contrário de macacos menores muito irrequietos, descansem mais do que metade do seu tempo.


Bugios são animais sociais que podem viver por volta de 20 anos. Eles formam grupos familiares, geralmente com 3 a 15 indivíduos, sempre lidados por um macho. Ao descansar catam os parasitos um dos outros estreitando dessa maneira laços ou demonstram submissão. Depois de 5 meses nasce normalmente 1 único filhote que ficará sob os cuidados da mãe até tornar-se independente depois 1 1/2 - 2 anos. O que para os machos normalmente significa que será expulso do bando. Passa a viver sozinho até conseguir eventualmente formar outro grupo. 







 








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