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Rosival, arte-educador, palhaço e mestre de bambu

Rosival, arte-educador, palhaço e mestre de bambu

"Sou apaixonado pelo bambu. Dá para fazer tanta coisa com ele!"

Quem está ouvindo Rosival Dias de Sousa falando do bambu vê que lá tem pano pra manga, algo para contar. O que começou com um hobby, Rosival, formado em pedagogia e passagem pelo PSA, testou o seu talento de artesão primeiro em utilitários de bambu como copos e canecas que deu de presente para os amigos. Hoje ele ergueu junto com a esposa Ana Alice Cardoso Souza o empreendimento - Arte e Bambu - além de exercer em oficinas um dos seus múltiplos talentos, esse de educador e pedagogo. Ministra oficinas de arte e criatividade com bambu, direcionada especialmente para jovens e mulheres. As oficinas mostram sua grande capacidade que vai muito além de ensinar como confeccionar copos, talheres, sabonetes ou luminárias de bambu. E o bambu é só o meio e o fio condutor.

"Se eu consigo mostrar para só uma das participantes que ela é capaz usar uma serrote ou uma plaineira e com isso ela descobre que dispõe de talentos dos quais ela nunca sabia que tinha - para mim a oficina já valeu!"

Em jargão mais atualizado isso se chama "empoderamento". Outros ensinamentos são o respeito para o meio ambiente e todas as formas de vida. Isso não é por acaso - o bambu pode ajudar demais a reduzir o uso de descartáveis e outros utensílios todos feitos de plástico, o grande vilã que polui o ambiente. Por respeito a natureza, o tratamento dos produtos feito com bambu também usa só resinas de plantas. 

Cada bambu tem sua própria utilidade. Rosival sempre vai ouvindo a varra e o que ela quer lhe entregar. As varinhas bem fininhas, por exemplo, viram canudos.

Rosival e sua companheira Ana Alice têm dedicado parte da sua vida ao bambu. Acabaram de produzir uma encomenda de canecas, e também vendem na feirinha de Alter do Chão.

Suporte para celular, bio-joas, saboneteiras – o bambu é muito versátil.

 

Bambu, disponível, renovável e sustentável

Residindo há pouco tempo em Belterra, num espaço a altura da sua proposta com muito verde e uma casa de adobe e barro, Rosival é fascinado pelos bambuzais que ainda estão sobrevivendo nessa cidade emblemática, cheia de histórias do Henry Ford, da seringa e das seringais. Um dos bambuzais gigantes infelizmente está sendo eliminado. Ele fica na tradicional escola Valdemar Maués - matéria prima perfeita para muitos e muitos artefatos do casal.

“Estão cortando, extirpando um bambu que deve ter mais do que 50 anos. Olha como são grossos! Vou tentar levar o que posso!”

Existem mais de mil espécies de bambu espalhadas pelo mundo. O bambu gigante deve ter sido trazido da Ásia para o Brasil num desses intercambios dos colonizadores e se adaptou muito bem aqui no Brasil. Algumas espécies de bambu são pequenas, assim denominadas anãs, outras, no entanto, são gigantes – diâmetro superior a 20 cm e altura de até 30 m. E o seu crescimento é a altura. Uma varra se desenvolve em até 6 meses. O seu crescimento termina quando aparecem as folhas. O broto, aliás, é comestível e muito apreciado na cozinha asiática.

Os bambuzais de Belterra são gigantes, extremamente decorativos e devem ser bem antigos.

 

Brasilidades sobre o bambu

No Brasil, as espécies mais conhecidas e disseminadas de bambu são aquelas de origem asiática e se adaptaram tão bem ao ecosistema local que não só oferecem sombra como também servem de proteção a fauna e além disso preservam os lençóis freáticos. Também existem bambus nativos, conhecidos, dependendo a região, por taquara, taboca, jativoca, taquaruçú ou taboca-açú. São menores, mais para arbustos e se confundem com a floresta, mas também tem moitas gigantes genuinamente brasileiras. Altamente ornamentais, esses bambuzais de Belterra devem ter sido plantados com fins paisagísticos e ornamentais -  se encontram bambus gigantes parecidos no parque do Museu Goeldi em Belém por exemplo.

Tratamento do bambu

Para ter vida longa, a varra do bambu precisa passar por algum tratamento. Pode ser defumado ou cozido ou impregnado com inseticidas naturais. Nesses tambores, por exemplo, aquecidos, tomam um banho quente que pode durar de 2 a 3 horas. Depois são submersos em outros tambores para um tratamento a frio. Após o banho frio, as peças permanecem armazenadas durante alguns dias para depois podem ser utilizadas, virando tudo que alguém pode se imaginar.

Imaginação não falta nem na família nem na indústria criativa do Rosival. Ele está com um projeto de pratos ou recipientes da folha de bambu - já se imaginou descartar o seu prato na composteira? E a mais nova das criativas é a pequena Lorena Cardoso, que com seus 10 anos, já dá indícios fortes de ser a nova geração de bambuzeiras - já está desenhando peças de bambu!

O BOTO - Alter do Chão
Susan Gerber-Barata
Susan Gerber-Barata Seguir

Suíça com passagem por design e jornalismo de moda. Apaixonou-se tardiamente pelo Brasil e mais tarde ainda pela Amazônia, especialmente a culinária amazônica. Cozinha, escreve e fotografa livros, uns sobre culinária amazônica.

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