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Entender para poder respeitar

Entender para poder respeitar
Susan Gerber-Barata
ago. 4 - 6 min de leitura
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Primeiro temos que entender para depois respeitar! 

a fala é do secretário de Turismo Alaércio Cardoso, tomando as dores dos nativos, dos ribeirinhos e indígenas de Alter do Chão, condensando todos os tensões que marcaram a reunião Cosanpa-comunidade de Alter do Chão,  dia 03 de Agosto 2022 no centro do idoso sobre a implantação do esgotamento sanitário. A reunião, a convite da prefeitura, aconteceu para esclarecer  inúmeras dúvidas sobre o planejado esgotamento. Devido a falta de transparência, circulam não só um abaixo-assinado, mas inúmeros boatos e fakenews em que será despejado o esgoto direto no rio Tapajós. Além disso, ninguém quer as ETs, as Estações de Tratamento. As mesmas, conforme opinião comunitária formada, iriam emitir cheiros desagradáveis e por isso não devem ser construídos no Jacundá, Carauari ou perto do CAT. 

Presença maciça de políticos e funcionários públicos, falava comunitários

A importância da reunião mostrou a participação em peso da COSANPA, o diretor José Antônio de Angelis em pessoa veio de Belém, acompanhado de muitos funcionários. Também estava presente o representante do consórcio Borari, Fernando Carmona, e representantes do governo, vereador Erasmo Maia, envolvido num projeto maior do município de adequação ao novo marco de saneamento, recentemente sancionado pelo governo federal. Estavam o secretário de Turismo, Alaércio Cardoso, Kléber Costa,  funcionário da Semurb e comunitário. A comunidade de Alter se fez presente pelo atual presidente do Conselho Comunitário, Antônio Souza, e o candidato para presidência do mesmo, Gabriel Buchale, na função de representante da APA. Além disso veio um grupo pequeno, mas expressivo da comunidade indígena Borari, caciqua Neca Borari, Jecilaine Borari, Virgília e Pedro Orlean Rodé de Sousa, presidente da associação do Jacundá, Paulo Oliveira, Léo Ferreiro, Laudeco Sardinha, entre outros. O restante da comunidade infelizmente não marcava presença.

 

Alter quer saneamento sim

Explicações extremamente técnicas mostram que somente a parte colorida será servida de água e esgoto. Uma faixa do centro até a praia do cajueiro e outra maior ainda até o lago do Jacundá serão descobertas pela obra.  

Ninguém da vila questiona a importância da obra. As dúvidas são sobre o projeto e a execução. Especialmente porque a implementação de abastecimento de água pela mesma companhia deixou muitíssima a desejar. A obra do esgotamento, financiada pela Caixa Econômica, tratará de saneamento básico, que inclua água e esgoto da parte central de Alter do Chão com 4 ET, Estações de tratamento. O esgoto, devidamente tratado, será lançado num afluente de 5 km no rio Tapajós.  

Poder enfim usufruir de um saneamento básico adequado, cujas vantagens ninguém questiona, a obra exigirá toda uma mudança de hábitos da população. Só aqui a água tratada ainda não tem seu devido preço. Exigirá uma outra maneira mais econômica e consciente de lidar e gastar um bem comum, a água, em muitas partes do mundo já extremamente preciosa ou já escasso.

A Cosanpa garante que praticará uma das tarifas mais baixas do Brasil, além de oferecer uma tarifa social para os mais necessitados. Por enquanto, a adesão é voluntária. Mas será necessário todo um trabalho educacional bem forte para convencer os moradores e veraneiros de Alter do Chão de dar mais valor ao que por aí tem de sobra, água limpa e potável.

Ninguém mais deve, por exemplo, nem encher nem despejar piscinas inteiras com água tratada na rua, que além disso roem o bem comum. Pior só, despejar produtos químicos no esgoto que simplesmente podem matar as culturas de bactérias responsáveis pela decomposição do mesmo esgoto. 

 

Localização das Estações de Tratamento são questionadas

A obra da ET -estação de tratamento- já iniciou, no Jacundá, e ficará na cheia quase dentro da água do lago Jacundá. Sua construção foi fortemente questionada pela população indígena Borari com o argumento que as ETs em Santarém nunca funcionaram sem emitir cheiros bem desagradáveis. A resposta porque todos os ETs estão posicionados beira-rio é simples. O sistema funciona por gravidade. O esgoto escorre para baixo e não precisa ser bombeado. E os lugares mais baixos ficam beira-rio como esse ET à margem do lago Jacundá ou do lago Carauari.

Visão de 360 graus, filmada dia 18 de Julho, da construção da ET na beira do lago do Jacundá. Com uma cheia como essa desse ano, a obra ficará quase dentro da água.

A Cosanpa por sua parte garante que todas as licenças ambientais exigidas  foram dadas pela SEMMA e nem o lago do Jacundá, nem o Carauari correrão perigo. Para os interessados - todas as plantas podem ser vistas na SEMMA.

A estação de tratamento é uma caixa de concreto fechada. Dentro o tratamento acontece em várias fases, todas biológicas, sem uso de química nenhuma. Somente no final a água será clorada antes de ser desenvolvido ao leito do rio. 

 

Fortes questionamentos sobre o comprimento da afluente

Além da polêmica com o local de instalação da ET do Jacundá, os moradores também questionaram o comprimento de somente 5 km do afluente. Os nativos que conhecem bem os ventos e o comportamento das correntes do Tapajós estão extremamente preocupados que as águas devolvidas ao rio poderiam, devido aos ventos de cima, serem devolvidos para a praia e prejudicar a vila. Sem chegar a um consenso, para fechar a fala do presidente da Cosanpa, José Antônio de Angelis:

Confiem e tenham fé. A Cosanpa fará um ótimo serviço ......

Ah, o nome consórcio "Borari" também será alterado em respeito a comunidade dos povos originários.  Um começo, será, para entender, para respeitar e dialogar e ouvir?


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Susan Gerber-Barata

Designer, jornalista e professora de idiomas

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