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Eduardo Serique e a canoa cósmica

Eduardo Serique e a canoa cósmica

FOTO 1: EDUARDO CHEGANDO NO PAJUÇARA – RIO TAPAJÓS

Após o 29 M, onde milhares de brasileiros enfrentaram a pandemia para gritar e evitar o sangramento do país, colorindo o Brasil novamente de esperanças,  um jovem, bem ao estilo Senhor dos Anéis ou Indiana Jones, neste 30 M, remou, navegou no desapego, e chegou nadando, mas chegou, ao seu primeiro destino:  A bela casa do Dr. Erick Jennigs na praia do Pajuçara.

Viagens épicas, são histórias que mudam a história. As três maiores da humanidade são as de Marco Polo, Cristovão Colombo e Francisco Orellana, o tenente capitão espanhol que “descobriu o grande rio das Amazonas”.

Mas o que nos traz de novo esta história vivenciada pelo Eduardo Serique? 

Ex-funcionário do Banco do Brasil, Serique é sinônimo de mudança, de transformação, de filosofia clássica e muita sabedoria. Comprou um barco e hoje mora na Vila de Alter do Chão. Em sua residência marítima,  todos os dias ao acordar e antes de dormir, posta fotos do nascer e do pôr do sol de tirar o folêgo de qualquer um, muitos simples mortal confinado nestes tempos de covid, como muitos de nós.

Uns dois dias antes deste domingo, Serique anunciou na Cabana onde moro com minha esposa Franciane, que iria fazer esta viagem para levar as boas notícias para nossos amigos do pajuçara, Erick e Sebastião Tapajós. Naquele momento, estava assistindo no canal selvagem, o belo trabalho de Ana Dantas, feito a partir de inúmeros trabalhos científicos, como o de Jheremi Nardi e Antonio Nobre e narrativa de Ailton Krenak de mitos dos povos Tukanos do alto Rio Negro: A Serpente Cósmica e a Canoa.

Após algumas ponderações, logo que vi que o Serique estava mesmo numa outra onda: a prática, viver o real das coisas de todos os mundos, espaços e cosmos, fazer uma travessia. Até tentei alerta-lo que não seria nada fácil. Disse-lhe que estamos em época de cheia e muita chuva. Falei da ponta do Cururu, dos seres encantados que por lá existem, da espia, que era forma dos caboclos viajarem antigamente de Alter até Santarém durante o período de praias e do tempo que levaria na canoa e que se espera-se um pouco mais, seria mais seguro. Mas Eduardo foi enfático: já calculei tudo. Vou sair bem cedo e ainda vou bater o recorde com a canoa que já está adaptada com o banco apropriado. Batizou a aventura de Canoak.    

Criou um grupo de whatsapp, incluiu vários amigos e amigas e suas duas filhas, Arícia e Gaia que moram em Minas Gerais. Logo cedo deste domingo, postou vídeos e deu início a aventura. Fez algumas postagens espetaculares e depois sumiu, saiu de cena, escafedeu-se. Daí em diante foi só aflição no grupo. O que todos queriam saber: – Cadê tu Dudu? E o diário de bordo? Nada de resposta, nem sinal de fumaça. Deu meio dia, uma, duas, três, quatro da tarde, o desespero crescendo, uns ligando, outros rezando, até que enfim, lá pelas cinco, UFAAA...Dr Erick postou no grupo: “Depois de quase 12 horas, chegou”, postando as fotos deste texto, como esta a seguir que nos mostra, pelos calos nas mãos, toda a história do que foi esta trajetória épica.

FOTO 2: O ROSTO E AS MÃOS DO HOMEM CANOEIRO

Suas filhas foram logo as primeiras a mostrar alívio que todos nós sentimos. Para quem o conhece bem, sabe o tanto de aventuras que ele é capaz de enfrentar e vencer. Na música, nas artes, na alimentação, na amizade, na forma de dizer e se colocar, de plantar e de colher, vai a fundo nas questões e sempre nos ensina. E que nos ensinou mais nesta viagem?

Que podemos mudar o mundo, de cambiar a vida, de se transformar. Sozinho, enfrentou a tempestade e como o velho marinheiro soube depois do nevoeiro, chegar são e salvo ao destino. Franciane que passou a tarde entre seus trabalhos do IESPES e seu Doutorado em Biomedicina, disse com tranquilidade: - Homens sábios e inteligentes possuem um senso de sobrevivência que só  eles sabem o que fazer quanto enfrentam as atribulações da vida e do tempo.  

Aliviado, saí para comprar uns salgadinhos na nova Portinha, nova casa que vende  deliciosos quitutes regionais e naturais feitos com amor pela Tula e pela Tamara. Ao voltar   para a Cabana, vi dois imensos arco-iris cobrindo a Vila de Alter do Chão. No Budismo Tibetano, quando alguém contempla um Arco-iris duplo, significa que em algum lugar, um Ser Humano Iluminou. Aliás, quem o conhece sabe, que Serique é um ser iluminado que ilumina a todos nós. 

 

FOTO 3: A CANOA EM SUAS ADAPTAÇÕES PARA VIAGENS CÓSMICAS

E assim termino este ensaio, feliz por ter vivido todas estas emoções, aprendendo o que nos ensinam os amigos, tanto os do vídeo a flecha 1, que cunharam a ideia de sermos flechados pela serpente e agora a canoa cósmica, nos ajudando a responder O QUE SOMOS? – Somos uma galáxia ambulante de sistemas celulares, quanto os que viveram esta aventura, receberam o Serique, assim como os que viam e postando no grupo Canoak, o verdadeiro  valor da AMIZADE. 

FOTO 4: APÓS 12 HORAS DE AVENTURAS, PENSEM NUMA RECOMPENSA DESSAS

“Almir Klink dos mares Tapajoaras, que orgulho de poder compartilhar desse momento. 

Que as águas da bacia do Amazonas te deem alento, rumo e amores.

Brisas, cheiros e sabores.

Que você saiba mudar tudo, mantendo tudo igual.

Evoé,  irmão” (Ailton, Jr, 2021, grupo Canoak).

O BOTO - Alter do Chão
Jackson Rego Matos
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Professor Titular da Ufopa; Engenheiro Florestal, Mestre em Ciências Florestais, INPA, 1993. Doutor em Políticas Públicas e Meio Ambiente, CDS/Unb, 2003. Professor do Instituto de Biodiversidade e Floresta. É membro da Alas, IHGTap, Folião do Sairé.

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