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Turismo Regenerativo

Turismo Regenerativo
O BOTO
fev. 5 - 9 min de leitura
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Uma viagem a Alter do Chão para descobrir o que significa, na prática, viajar com propósito, promovendo a valorização da cultura e identidade local

Por Alex Fisberg e Mari Brunini, de Alter do Chão
via www.topdestinos.com.br

1. Ilha do Amor durante período de cheia do Tapajós

Ilha do Amor durante período de cheia do Tapajós | Foto: Alex Fisberg

Viajar e conhecer diferentes culturas parece estar escrito de alguma forma, em nosso DNA. Saímos ao redor do globo em busca de aventuras e experiências marcantes que enriqueçam nosso espírito e nos tornem mais felizes. Mas, se é comum pensarmos em como uma viagem pode mudar a nossa vida, por outro lado, quantas vezes refletimos sobre o nosso impacto nos locais que visitamos? Como garantir que um local permaneça autêntico e atraente em sua essência, e ao mesmo tempo promova um desenvolvimento local genuíno?


Pescador e sua tarrafa, rede em formato circular | Foto: Alex Fisberg

Tais questionamentos fazem parte de tendências crescentes em todo mundo como Slow Living, Small is Beautiful e Lowsumerism. A vanguarda no campo do turismo é o chamado Turismo Regenerativo, que entende que o sustentável não é suficiente e propõe um envolvimento maior, no sentido de voltarmos a ser parte da natureza e evoluir com ela. Este conceito é sustentado por um tripé que aborda a nossa relação com a natureza, com o outro e com nós mesmos.

 A vila tem um ritmo e um jeito de se relacionar muito diferente das grandes cidades | Foto: Alex Fisberg
A vila tem um ritmo e um jeito de se relacionar muito diferente das grandes cidades | Foto: Alex Fisberg

Partimos para a Alter do Chão para descobrir o que significa, na prática, viajar com propósito, promovendo a valorização da cultura e identidade local.


Catraias alinhadas durante a cheia do Tapajós, à espera dos viajantes | Foto: Alex Fisberg

Alter do Chão é uma vila com cerca de 800 famílias a 40 km de Santarém, no oeste do Pará. Trata-se da antiga Aldeia dos Boraris - ou Iburaris - conhecida desde o século XVII e oficialmente fundada em 1738 como Missão de Nossa Senhora da Purificação da Aldeia dos Boraris. Internacionalmente famosa por suas belezas naturais, às margens do Tapajós de águas mornas e cristalinas de tom verde azulado, Alter está  ligada de forma íntima a diversas comunidades tradicionais do entorno - sejam ribeirinhas, quilombolas ou indígenas.


Duka do sax tocando no chorinho da Dona Glória que acontece todas às sextas | Foto: Alex Fisberg

A primeira e mais importante dica é viajar de coração aberto. A vila tem um ritmo e uma forma de viver e de se relacionar muito diferente das grandes cidades. É justamente nisso que está um dos grandes tesouros deste lugar. Seu hino, tocado em muitas ocasiões - invariavelmente nas noites de chorinho, programa imperdível que acontece todas as sextas-feiras no bar da Dona Glória - conta um pouco sobre essas riquezas.

"Em Alter-do-Chão não se sente dor
Tem um povo pobre, mas acolhedor
Por Deus foi criada a sua beleza
Suas praias lindas são da natureza
O seu lago verde é de admirar
A toda essa gente que vem visitar"

hino de Alter do Chão


Seu Zé Alfredo, rei do chorinho em Alter do Chão | Foto: Mari Brunini

O Rio Tapajós tem 1.900 km de extensão e deságua no Rio Amazonas, gerando o fenômeno conhecido por “encontro das águas” na região. Um dos afluentes do Tapajós é o Arapiuns...


Preparação da típica farinha de mandioca em comunidade ribeirinha | Foto: Alex Fisberg

O Urucureá, fica a 30 minutos de barco de Alter do Chão. Lá, você encontra artesãos que produzem peças em palha exportadas para o mundo todo. Anã e Atodi são outras duas comunidades que merecem ser visitadas vivenciando a vida ribeirinha nos moldes do conceito de Turismo de Base Comunitária, no qual uma comunidade local é protagonista e co-criadora da experiência junto ao visitante - garantindo não apenas a vivência, mas um ganho real para a comunidade.


Comunidade no Arapiuns | Foto: Mari Brunini

As atividades são desenhadas com o objetivo de compartilhar o que há de melhor e mais relevante no destino, mas também representam a garantia de uma distribuição de tarefas e renda que beneficie a comunidade como um todo. O passeio na floresta conhecendo as propriedades medicinais das árvores e frutos, ou a produção de farinha de mandioca são imperdíveis.


Dinaldo e Bira pescam ao pôr do sol no Arapiuns | Foto: Mari Brunini

A meia hora de Alter, fica a Comunidade do Macaco, junto a uma das nascentes que alimentam o Tapajós. Lá, vivem algumas famílias que adotam a permacultura – forma de manejar os recursos naturais para a agricultura priorizando a sustentabilidade, o equilíbrio e a harmonia com a natureza.


Bioconstrução com barro e garrafas | Foto: Mari Brunini

Eles trabalham com turismo alternativo e consciente, arte e bioconstrução. Todos que passam por lá contribuem com a construção da comunidade e o visitante pode participar de vivências em meio à floresta, desfrutando da bioarquitetura e de atividades como oficinas de circo, bioconstrução, biocosméticos e terapias alternativas.

Floresta Encantada | Foto: Mari Brunini
Floresta Encantada | Foto: Mari Brunini

Na própria vila de Alter do Chão, nos meses das cheias, quando o Tapajós chega a subir até oito metros, há passeios como o da Floresta Encantada, onde se pode navegar pelas copas das árvores da floresta submersa. Um cenário indescritível! Já de agosto a janeiro, é a estação das praias, quando o rio baixa e a faixa de 100 quilômetros de extensão fica livre para aproveitar as idílicas praias de água doce.


Igarapé do Caranazal na Floresta Encantada | Foto: Mari Brunini

Outra excelente opção de passeio é a Comunidade do Jamaraquá, distante duas horas e meia de lancha partindo da Vila. Ao fazer a trilha de nove quilômetros que culmina na suntuosa sumaúma, árvore centenária, conhecida como Avó da Floresta que pode atingir 90 metros de altura e três de diâmetro, aproveite o silêncio e o perfume da floresta.

Carimbó ao ar livre e grátis na quinta do Mestre | Foto: Mari Brunini
Carimbó ao ar livre e grátis na quinta do Mestre | Foto: Mari Brunini

De volta à vila do Alter, confira a Quinta do Mestre, iniciativa do Movimento de Carimbó do Oeste do Pará, que promove apresentações com vivências e comidas típicas às quintas-feiras. O evento é gratuito, na rua em frente à casa do Mestre de carimbó Chico Malta, a partir das 20h30. Se quiser entrar no ritmo local, uma recomendação é fazer a oficina de carimbó raiz com o casal Sandra e Hinho Moreno. Além de ensinar os passos, eles fabricam e vendem lindas saias de carimbó.

Na gastronomia local o espetinho de pirarucu é uma iguaria imperdível, sempre aos sábados no carrinho do Plínio, em frente ao Mercado Mingote. Experimente também o verdadeiro açaí paraense, com farinha de tapioca. Para refrescar, nada melhor do que um suco geladinho no final da tarde. A Sucaria Sabor da Fruta tem deliciosas opções regionais - o de cacau é o mais pedido, vale a pena experimentar!

Dona Glória é conhecida pelos doces mais saborosos da Vila. Além do famoso bolo de chocolate, o mais procurado é o bombom caseiro. São três sabores: castanha, cupuaçu e coco - é impossível escolher o melhor! Nas noites de sexta-feira o local é o ponto de encontro do tradicional Chorinho. Além disso, no final das tardes das segundas-feiras acontece um forró pé de serra instrumental no restaurante A Bôta que não pode faltar no roteiro. Assim, em contato com os moradores que valorizam e preservam tudo o que é local, você vive uma experiência única, contribui para preservar a essência garantindo vida longa à nossa Amazônia.

Para quem tem vontade de praticar o turismo consciente, preparamos o “Guia de Turismo Responsável” - confira em www.topdestinos.com.br

DICAS QUENTES

ANTES DE IR

Leve dinheiro, pois a maioria dos estabelecimentos não aceita cartões de débito/crédito.  É recomendado ter a vacina de febre amarela.

COMO IR E ONDE FICAR

O trajeto Santarém-Alter do Chão-Santarém é feito de táxi ou transfer particular. Agende com antecedência.

Turiarte

Cooperativa de turismo e artesanato da Floresta, agência de base comunitária atuante na região dos rios Tapajós e Arapiuns no Pará.

https://turiarteamazonia.wordpress.com

Coletivo Muda!

Coletivo de empreendimentos que defende a  viagem como estratégia eficiente para promover a sustentabilidade dos destinos turísticos brasileiros.

http://www.coletivomuda.tur.br


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