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Rio Xingu antes e depois da construção do complexo hidrelétrico Belo Monte

Rio Xingu antes e depois da construção do complexo hidrelétrico Belo Monte

No último 6 de outubro, o Observatório da Terra, da Agência Espacial Americana (NASA), divulgou imagens de satélite comparando o rio Xingu antes e depois da construção do complexo hidrelétrico Belo Monte, na Amazônia paraense. Na imagem mais recente, de junho de 2017, é possível identificar os dois reservatórios que o complexo formou e a drástica redução (80%) na vazão da Volta Grande do Xingu, afetando populações tradicionais e indígenas que habitam a área e abrindo caminho para a mineração de grande intensidade.

POR ARTHUR SERRA MASSUDA

A seca da Volta Grande do Xingu tornou possível o licenciamento da mineradora canadense Belo Sun, que pretende escavar antigas áreas de pesca e garimpo artesanal vizinhas a dois grupos indígenas – Juruna e Arara. O excedente populacional após o auge da obra, atingidos desfavorecidos em negociações sem assessoria jurídica com a Norte Energia e impactados não reconhecidos como atingidos pela empresa acabam se espalhando por uma região marcada pela grilagem, podendo agravar os conflitos agrários nos arredores da área onde irmã Dorothy foi assassinada.

Meninos juruna pescando no rio Xingu. Aldeia Mïratu, TI. Paquiçamba. Foto: Hilton S. Nascimento, 2015.

São consequências conhecidas de grandes empreendimentos na Amazônia, mas desconsideradas por um projeto cujas promessas envolviam não repetir os erros do passado, outro discurso comum nesses megaprojetos. Em janeiro de 2016, um mês antes do término do enchimento dos reservatórios, um grupo de beiradeiros e indígenas do rio Tapajós visitou a região para conversar com seus semelhantes, após ouvirem promessas muito parecidas no contexto do complexo de hidrelétricas. Um pescador juruna contribuiu com um relato sobre o que aconteceu no Xingu:

“Eu lembro que tinha caçada de gato antigamente, que eu não cheguei a caçar, mas eu me lembro ainda, que era pequeno. Proibiu. Mas ficou o rio. A seringa caiu de preço e tudo, mas ficou nosso rio. A castanha da mesma forma, mas o nosso rio ficou. Fecharam o garipo do Itatá, que era outra renda que a gente tinha, mas sempre ficou nosso rio. [O peixe ornamental] Cari-zebra, proibiram, mas teve os outros peixes. Tudo o que era feito, mas nós tinha com quem se agarrar, que era o nosso rio, com esse aí que nós sobrevivia. E agora? Acabaram com o rio, acabaram com o nosso lazer, acabaram realmente com nossa alegria de viver.”

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