[ editar artigo]

Que ideia é essa de salvar a Amazônia destruindo a Amazônia?

Que ideia é essa de salvar a Amazônia destruindo a Amazônia?

Nossos territórios estão em risco no governo de Jair Bolsonaro e o plano tem nome: "Projeto Barão do Rio Branco", resgatado dos anos 70. Não houve sequer uma consulta aos indígenas sobre o projeto que afeta 27 terras indígenas.  Reuniões aconteceram de portas fechadas com a turma do agronegócio (Belém, em abril) e com o prefeito Nélio Aguiar (Santarém, em fevereiro). Nós, indígenas e não indígenas, ficamos sabendo de tudo isso pela imprensa nas últimas semanas. O material foi aberto pelo site OpenDemocracy e tem saído, de maneira mais acessível para o público, no jornal online The Intercept.   Antes de refletirmos juntos sobre as consequências, a lista abaixo resume o que tem sido discutido:  

  1. Construção de hidrelétrica em Oriximiná; 
  2. Construção da Ponte rodo-ferroviária de Óbidos sobre o Rio Amazonas;
  3. Expansão da Cuiabá-Santarém BR-163, iniciada nos anos 70 e ainda não concluída, até o Suriname;
  4. Possibilitar que a Ferrovia EF-170 (Ferrogrão), que hoje vai Sinop-MT até Miritituba-PA, possa continuar ao lado da BR-163 até o Porto de Óbidos-PA; 
  5. Ampliação de Porto de Óbidos, para módulo rodo-hidroviário
  6. Construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós.

Com o mesmo lema da ditadura militar, o governo alega “escassez populacional” do Oeste do Pará e necessidade de "ocupar pra não entregar". A Amazonia não era um deserto populacional em 1970 e não é hoje. De fato, milhões de pessoas vivem na Amazônia, geração após geração, desde a antiguidade. A Amazônia é cheia de vida. O governo esquece de falar que o relatório da Comissão Nacional da Verdade mostra que durante a ditadura militar ao menos 8350 indígenas foram mortos

O tal Projeto Barão de Rio Branco não fala sobre custos (ambientais, sociais e também das tais megaobras), não fala sobre impactos, não fala sobre desmatamento, não fala sobre remoção de populações tradicionais, não fala sobre a destruição de ecossistemas. Desconhece os debates atuais de bioeconomia e os potenciais de desenvolver a região com a floresta em pé.

Em total descompasso com a ciência, o governo fala muito menos sobre os serviços prestados pela Amazônia para todo o país. Ainda, ignora totalmente acordos internacionais de consulta dos povos indígenas e acordos ambientais. 

Que ideia é essa de salvar a Amazônia destruindo a Amazônia? A floresta amazônica paraense está sendo desmatada pela expansão da agropecuária, com megaobras de hidrelétricas e estradas, atividades de mineração e de madeireira ilegal há décadas. Entendam: a destruição da Amazônia é a principal ameaça à Amazônia. E ainda o governo esconde que o plano de destruição da floresta tem sido sustentado por instituições financeiras de capital nacional e internacional, o que deixa nossa região nas mãos desses atores no mercado global, o que também fere a soberania do nosso país.

O BOTO - Alter do Chão
Ler matéria completa
Indicados para você