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Mais que Brega, Flash Brega!

Mais que Brega, Flash Brega!

Foto: Kevin Gonzales

Pra uma paulistana da gema, até uns três anos atrás brega pra mim era sinônimo de coisa fora de moda, cafona.

Carimbó estava no mesmo (admirável, sim, mas pouco conhecido) balaio que ritmos nordestinos como cavalo marinho, caboclinho, frevo... pelo pouco contato que tive trabalhando numa escola de cultura popular brasileira lá no sudeste. E, aos poucos, com essa minha imersão em terras amazônicas, no oeste do Pará, ainda não dancei mas já respirei muito carimbó, já brinquei de bater curimbó, toquei maraca fora do ritmo, cantei, me diverti, colaborei com o que sei fazer (comunicação) pra grupos e pro Movimento de Carimbó do Oeste do Pará e agora até posso distinguir Carimbó Chamegado de Carimbó Frenético - de vez em quando.

Mas brega, esse ainda era só outro jeito de dizer desajeitado, exagerado... até que me chegou às mãos em agosto o projeto da Cristina Caetano e Nato Aguiar “Cabaré Paraense“. Fui convidada pelo Selo Alter do Som pra colaborar na comunicação do projeto e comecei uma nova viagem cultural.

O que o Nato fala sobre o brega é muito bacana: “esse trabalho do brega é mostrar o que o Pará tem de pop. Além do carimbó, que já é mais da cultura popular de raiz, temos a lambada, a cumbia e o brega, que é um ritmo pop que se veste de vários gêneros como o tecnobrega, tecnomelody - tudo isso está inserido na nossa formação musical. Caetano Veloso grava brega e de vez em quando emplaca. Não se tem que ter vergonha de gravar brega“. 

A Cris conta que essa vontade de fazer brega veio de repente. “Costumo brincar que, da minha parte, ´recebi o projeto pronto´. Comecei a compor sem parar e quando vi, já era. Mesmo que eu e Nato já fôssemos muito próximos, nos encontramos por acaso nesse resgate musical da fase das bandas baile, pela qual os dois passaram nos anos 80, e cada um a seu modo havia decidido resgatar. Nos juntamos no estúdio do Julio Tapará e deu liga!“

Então, vou contar a verdade: eu ainda não sei dançar brega (dizem que é mais difícil que o carimbó principalmente porque dança realmente junto e até essa paulistana sem ginga concatenar tudo... já viu). Eu também ainda não sei a diferença entre tecnobrega e tecnomelody, apesar de ter escrito essas palavras mil vezes nos materiais de divulgação (assim é, a gente nem sempre domina as informações que escreve em nome de alguém) mas sei, por experiência e sensibilidade, que o álbum Cabaré Paraense dá vontade de se mexer, de rebolar em casa. Tem músicas pra puxar o namorado pra dançar colado, outras pra lembrar de uma desilusão amorosa do passado e derramar uma lagriminha no canto do quarto, tem música pra ficar repetindo o refrão o dia todo, no chuveiro ou lavando a louça: “Eu digo éégua, falo pai d´éguaaaa“ (essa colei no fim desse texto).

Nos anos 80 eu era pré-adolescente mas lá de onde eu vim também tinha lambada e brega e eu sou pega por essa nostalgia. E daí o termo que surgiu em algum momento e grudou no projeto. Né brega, não, maninhx: é Flash Brega!

O disco estará disponível sexta, dia 27, nas plataformas digitais (Essas como Spotify, Deezer, Youtube, iTunes, Google Play) e dia 05 tem festa no Espaço com um show performático. Tudo vai chegar até vocês pelos grupos de whatsapp da vila ou pelas redes sociais da Cristina ou do Espaço.

E aqui vai uma faixa, aquela pra lavar a louça, cantar no banheiro, ou arrasar na pista - pra quem pode. :)

 

 

 

 

O BOTO - Alter do Chão
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