[ editar artigo]

Desrespeito aos moradores marca a primeira reunião da Comissão Eleitoral

Desrespeito aos moradores marca a primeira reunião da Comissão Eleitoral

Na noite de segunda-feira, 17/12, uma nova comissão eleitoral escolhida de maneira irregular segundo o Estatuto convoca lideranças de associações para mais uma vez (já é a terceira tentativa) inscrever as chapas que concorrerão à Diretoria do Conselho. População foi ao encontro discutir a proibição de voto dos moradores, interessados diretos em ter um Conselho que represente e atue em favor de toda comunidade. De maneira autoritária, a Comissão não respondeu às perguntas de presentes, candidato da situação chegou até a ameaçar chamar a polícia e dificultou a inscrição de chapas.

Por Maria Eulália

A reunião já começou em clima tenso, com a leitura do edital de como será a votação pelo então presidente da Comissão Eleitoral, Edilberto Ferreira Costa:

Uma vez que tal regulamento já contraria o estatuto como ponto de partida, definindo que só 3 membros de instituições associadas poderiam votar, a professora da UFOPA Luciana França perguntou se teria acesso às atas em que as tais 42 associações escolhidas se tornaram membros do conselho comunitário.

Edilberto disse não ter essa informação.

A professora França leu o estatuto e disse que, segundo o regulamento, só fazem parte se forem aprovadas em assembleia, e registrada em ata. Argumentou da importância, então, de se mostrar as atas datadas que provassem a aceitação de cada uma das associações com direito a voto.


Edilberto mais uma vez confirmou que não tinha essas informações.

A advogada dos moradores Daniela Roque perguntou se poderia conseguir essas atas, então, defendendo a moradora Luciana França.

O líder comunitário Laudeco também questionou os critérios da eleição. Explicou que o conselho comunitário foi fundado em 69 e publicado em 75, funcionando como federação. Com o passar dos anos, conforme novos grupos participantes, o estatuto foi criado pelo presidente e pelo advogado, mas não teve critérios de assembleia. Alertou que hoje o conselho não tem mentalidade nem das associações e nem de pessoas físicas, o conselho é uma associação perdida, órfã. E pediu para o presidente da Comissão Eleitoral ter como foco não a disputa pela manutenção do poder, mas no interesse da comunidade.

Edilberto mais uma vez respondeu de forma autoritária.

A professora França perguntou então se o caso não era de mais uma impugnação, já que os moradores não estavam sendo respeitados e nem acesso as atas que comprovassem que tais associações com direito a voto estavam sendo disponibilizados.

Edilberto, nesse momento, falou da existência de livro de atas, mas disse que o presidente em exercício por ordem judicial há seis meses, Carlos Santos, não estava presente pra responder por motivos de saúde. Aparentemente, Carlos Santos não tem vice e a diretoria também não pode ajudar.

Laudeco pediu mais uma vez a palavra e lembrou que era importante respeitar a comunidade. A limitação da lista de votante prejudica a eleição. "Eu tenho direito, assim como tenho dever de votar". Pediu para abrir o direito a voto para toda a comunidade.

Ianny pediu pra ler a ata em que foi eleita tal Comissão Eleitoral e lembrou que nem mesmo essa Comissão seguiu o estatuto, pois na assembléia em que isso foi discutido já haviam duas irregularidades: a ocasião não era para eleição de comissão e também não se faziam presentes dois terços dos associados para tal decisão.

Edilberto ignorou a pergunta da moradora e continuou com a leitura do regulamento da eleição.

O presidente da Associação de Moradores do Carauari, o engenheiro Ivan Moreira, questionou. Disse que continuar no erro não era certo. Que isso só faria ter mais uma vez a impugnação da comissão.

A advogada dos moradores Daniela Roque pediu que o presidente da Comissão Eleitoral avaliasse o pedido dos moradores e redigisse um documento para impugnar.

Júnior, candidato da chapa da situação, neste momento, ameaça chamar a polícia e, de maneira autoritária, mandou Edilberto continuar a ler o regulamento.

O clima não era amistoso e nem democrático.

Laudeco se manifestou em defesa dos moradores e disse mais uma vez que as eleições não poderiam ser feitas assim. "Vocês estão tirando a possibilidade da comunidade votar".

Edilberto ignora a fala do morador e diz que a ocasião era somente para inscrições de chapas.

Júnior vai até à mesa para inscrever sua chapa, da situação.

Os moradores seguem indignados, mas sem alternativas, no momento, se unem para formar uma chapa de oposição na tentativa de conseguir ainda rever o regulamento sobre os votos.

Veja como ficaram as duas chapas:

Chapa Renova Alter:

  • Presidente: Antônio Júnior Sousa (morador do Caranazal)
  • Vice: Iuri Patrício Corrêa Dias
  • Primeira secretária: Valdelice Pereira
  • Segunda secretaria: Eunice Corrêa Coelho
  • Primeiro Tesoureiro: Jardson Corrêa Costa
  • Diretor de Relações Públicas: Joel Antônio Pereira Coelho
  • Diretor de Cultura: João Pedro Gonçalves Dias
  • Diretor de Meio Ambiente: Antônio Gabriel Buchalle Silva

Chapa Alter pra Frente:

  • Presidente: NeucIvan dos Santos Moreira (presidente da Ass. Carauari)
  • Vice: Leilane Domintila (Associação Indígena)
  • Primeira Secretária: Heloneida Vasconcelos (Ass. Doceiros)
  • Segunda Secretária: Ianny Cristian Alves (Movimento Indígena)
  • Primeiro Tesoureiro: Andre Ferreira Pinho (ATUFA)
  • Segunda Tesoureira: Keissiane Maduro (Boto Cor-de-Rosa)
  • Diretor de Relações Públicas: Maria Eulália (Carauari)
  • Diretor de Cultura: Nilson Coelho (Boto Cor-de-Rosa)
  • Diretor de Meio Ambiente: Daniel Gutierrez Govino (Brigada de Incêndio)

 

 

 

O BOTO - Alter do Chão
O BOTO
O BOTO Seguir

O BOTO é o jornal comunitário de Alter do Chão, em Santarém/PA, e região. Os repórteres, fotógrafos e colunistas são moradores. Os assuntos são escolhidos pelos próprios colaboradores.

Ler matéria completa
Indicados para você