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Da Marcha das Mulheres à festa do Sairé 2021

Da Marcha das Mulheres à festa do Sairé 2021

Sábado, dia 25, no último dia do Sairé 2021, o programa "Se Liga, Alter" entrou ao vivo das 11h30 às 13h. As criadoras, produtoras, repórteres e apresentadoras do programa Enilda e Samara Borari trouxeram a cobertura da Segunda Marcha das Mulheres Indígenas que aconteceu de 7 a 11 de setembro em Brasília e também um especial sobre o Sairé, com entrevistas e a história da festa mais antiga da Amazônia que acontece em Alter do Chão.

O programa começou com o "Marambiré", música tradicional e hino de Alter composto por duas mulheres nativas, donas Terezinha e Luzia Lobato, abrindo o clima para a reportagem sobre a caravana do Baixo Tapajós para a Segunda Marcha das Mulheres em Brasília em 2021.

Na primeira entrevista, Eli Tupinambá, da Resex Tapajós-Arapiuns, falou sobre a importância da caravana e toda organização:

 "É muita responsabilidade levar 40 mulheres de 13 povos, num ônibus que leva 3 dias de viagem na estrada de Santarém até Brasília. Com parceiros e apoiadores, foi possível. Chegamos de volta com nosso coração mais fortalecido e com a compreensão que a nossa luta aqui na região é a mesma luta de todos os povos indígenas". 

Na sequência, Alessandra Munduruku, contou que entrou na luta seis anos atrás e como se empoderou. 

"Não tinha ideia de como era tão grande a luta do povo indígena. Quando me engajei, entendi a importância da nossa luta. Nós não negociamos nosso território, nem a vida dos nossos filhos. A Segunda Marcha das Mulheres é um desafio. Tem muitos que atualmente incentivam a violência contra os povos indígenas e contra as mulheres, então não podemos desistir. Temos milhares de mulheres de todas as idades, jovens e anciãs indígenas estão aqui". 

Também de Brasília, Narrary Tapuia, que atua também no coletivo de jornalismo MídiaÍndia, lembrou da luta contra o Marco Temporal. 

"A gente vai continuar lutando pelos nossos direitos. A gente não vai deixar que esse governo faça o que quiser como se não existisse indígena no Brasil. Existe."

 

Samara Borari lembrou que durante a segunda Marcha de Mulheres, que reuniu mais de 4000 mulheres de cerca de 150 povos do Brasil, também aprendeu sobre medicina tradicional e saberes indígenas de outros povos. 

"Eu particularmente aprendi muito com a troca de experiência com outras etnias, como por exemplo, uma troca de medicina tradicional de todos os povos. Teve um intercâmbio lá no acampamento do Baixo Tapajós com os Pataxó da Bahia. Todo mundo se emocionou. Foi muito tocante".   

PARTICIPAÇÃO DOS OUVINTES

A ceramista indígena Vandria Borari, que foi selecionada por seu trabalho com resgate da cerâmica tapajônica para um intercâmbio de três meses no centro de arte no mundo, em Basel, na Suíça, deu um alô para Alter:

"Ola, meu povo de Alter do Chão, estou conectada na Rádio Alternativa de Alter e estou muito feliz com essa iniciativa de ter esse espaço para as mulheres Borari. Que viva a Arte, ela é fundamental para nossa existência e resistência na Amazônia"

O ouvinte Rogério Rob, do Hotel Borari, pediu a música "Farinhada", do Boto Tucuxi.

 

SAIRÉ 2021

Devido à pandemia, o Sairé 2021 está mais enxuto, focado no rito religioso, como nas celebrações que aconteceram nos anos retomada na década de 70 (a festa foi proibida pela igreja por um período). O juiz da festa, Osmar Vieira, lembrou:

"A retomada de 1973, além de significar a união do povo Borari, significa a resistência de uma manifestação com mais de 300 anos de história. O Sairé abriu as portas para que Alter do Chão fosse uma vila mais conhecida".  

Dona Dalva, filha de Alter do Chão, é a atual saraipora da festa, uma das figuras mais importantes do ritual religioso que é responsável pela condução do símbolo da festa.  

"O Sairé representa para gente muita coisa, principalmente a fé. Já são sete anos que estou saraipora, a guardiã do Sairé, substituindo dona Maria Justa que estava doente e infelizmente faleceu. O Sairé é indígena. O símbolo da nossa cultura é Borari, uma figura que liga o Céu e a Terra".  

Nativo de Alter, seu Chico Borari, explicou a tradição do tarubá, a bebida consumida durante os ritos da festa: 

"O Tarubá é a bebida mais querida do povo Borari, feita da mandioca ralada que é fermentada por sete dias". 

 

Seu Baba Borari contou que o segredo da edição 2021 é o início de ciclo de resgate de algumas danças indígenas que estavam esquecidas. Esse ano, ainda não foi possível ensaiar devido à pandemia, mas para 2022, esses ritmos serão apresentados para o público. 

"O Sairé é nosso, nós temos que estar presentes e participar de tudo". 

E assim foi o programa de radiojornalismo do mês de setembro. Aguardamos vocês no nosso próximo encontro. Até lá, se liga, Alter!

Samara e Enilda Borari 

 

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