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A Ponto do Cururu e a tradição de acampar da família Pontes

A Ponto do Cururu e a tradição de acampar da família Pontes
George Felipe
nov. 4 - 5 min de leitura
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Acampar com toda a família num dos pontos mais emblemáticos do Rio Tapajós, no meio do nada, na ponta do Cururu trás não só para Jorginho Borari - George Felipe Pedroso de Castro – lembranças das mais gostosas, mas também para toda família Pontes, bastante numerosa. Os membros  mantém essa tradição, iniciada lá em 1945, até hoje.

Jorginho também conta como a mesma ponta, terras da União, foi grilada e recentemente quase foi ao leilão. Aparentemente existem esforços do Incra que parece que pediu o cancelamento do título de domínio e do registro imobiliário desse ponto muito importante para o turismo de Alter do Chão como o objetivo que as terras voltam para a gestão do Governo Federal.

Jorginho se lembra: Maria Ieda Corrêa Pontes e Maria Izaura Corrêa Pontes não iam porque eram casadas. Já os mais novos que iam sempre eram: Raimundo Corrêa Pontes, José Corrêa Pontes, Porfirio Corrêa Pontes (mudou-se para Roraima em 1974), Dolores Corrêa Pontes (Dolores e Raimundo eram gêmeos), Mestre Otávio Corrêa Pontes e Ermita Corrêa Pontes. Primeiramente, o acampamento acontecia na Ponta do Cururu. Após a venda da área para a VARIG (Rede de Hotel Tropical), a família começou a realizar a tradição do acampamento num ponto perto onde até hoje se encontra.

A patriarca dona Ermita, professora e diretora da Escola de Alter do Chão, passará um ano em Santarém, dos 13 aos 14 anos, estudando. Condições não tão favoráveis fariam com que ela voltasse e se mudando para a então vila de Belterra (hoje município). Foi morar em Belterra, até os 17 anos, onde então concluiu o ensino normal (hoje seria o fundamental), retornou à Alter do Chão e foi trabalhar na escola da vila substituindo a professora Osmarina. Após isso, trabalhou na vila de Aramanaí como professora.


Dona Ermita voltou à Alter do Chão em 1958, conhecendo então o meu bisavô, Oscar Lobato, com o qual veio a se casar. Em 1960 nascia seu primeiro filho, Sóstenes José Pontes Lobato (codinome Tico), o qual mora, até hoje, na Ponta do Cururu. Depois nasceram Selma Pontes Lobato, Suzete Pontes Lobato, Sirene, Sebastião, Deco, Nando, Val e Seila. Assim sendo, ela deu seguimento, já com a sua família formada, à tradição desse acampamento. Esse acampamento teve apenas uma interrupção de um ano e manteve-se constante após isso. Seus irmãos mudaram-se de Alter do Chão. Ficou somente Raimundo, até 1960, quando faleceu.

Com o passar dos anos, suas filhas e filhos cresceram, constituíram família e mantiveram a tradição, levando seus filhos (netos da Ermita e do Oscar) e seus netos (bisnetos da Ermita e do Oscar). É uma bonita tradição de anos que continua firme e forte até hoje.

Dentro desse mundo encantado e de tradições criaram-se várias lendas, anedotas e dizeres. Um deles é a inesquecível história do "Borocotió", homem feio que assusta as crianças, encenado por meu pai/avô Cleidinaldo Sardinha. A entrada triunfal dele, vestido com um lençol velho, deu-se justamente em setembro, no aniversário do meu primo, Oscar Lobato Neto, fazendo, então, todos rirem com a plateia toda “pitiú” de peixe.

Lá, também, meu tio, Sidenil Afonso (Deco), assustou muitos gringos e visitantes que lá iam dormir, pois, quando eles passavam por nosso “tapiri” improvisado, meu tio falava com um tom de deboche e amedrontando-os: - Olha, cuidado com a “curuviana". Mal eles sabiam que era somente o frio.


P.S. Um resumo sobre a atual “situação imobiliária” da Ponta do Cururu. A história é a seguinte: nos anos 70 e 80 a Varig tomou conta do local (grilou) e disse que a área era dela. Nessa época, a Varig construiu um Tropical Hotel em Santarém (hoje Barrudada Hotel), fins fomentar o turismo na região. A Ponta do Cururu passou a ser um dos "points" do turismo para estrangeiros da Varig. Nenhum brasileiro ia lá, somente nativos e estrangeiros.

Com o início da derrocada da Varig, nos anos 90, ela "vendeu" a área para um artista plástico norte americano casado com uma índia Kaxinauá. Esse casal construiu o Museu do Índio em Alter do Chão (onde é hoje o Hotel Borari) e ganharam e fizeram muito sucesso (internacional) com isso. Ele já faleceu e ela mora em Houston (USA). Antes de falecer, ele "vendeu" a área para a YMCA-Brasil (Associação Cristã de Moços).

A YMCA colocou dois nativos como "vigias" da área por quase 30 anos. Faliu e deixou de pagar os nativos. Eles entraram na justiça. Então, a área que foi posta à venda pela Justiça do Trabalho (porém sustada pela mesma justiça) nunca poderia ter sido negociada. Tudo começou com a grilagem da Varig.

 

 




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