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A luta de beiradeiros do Médio Tapajós para continuar em seu território

A luta de beiradeiros do Médio Tapajós para continuar em seu território

A conquista por um pedaço de terra é um processo longo e árduo. Vivendo há mais de oito gerações na margem esquerda do Tapajós, entre Itaituba e Jacareacanga, os beiradeiros de Montanha e Mangabal acompanharam os ciclos da borracha, das peles, do ouro, viram a Transamazônica (BR 230) sendo aberta, parentes sendo expulsos de seus lares com a criação do Parque Nacional da Amazônia, de geração em geração acumulando experiências e causos da terra. No início do terceiro milênio, tudo isso ficou em risco. Foram informados de que eram invasores de uma terra que tinha dono documentado, uma empresa paranaense chamada Indussolo. A comunidade relembra esses tempos como a “época da grilagem”.

Por Arthur Serra Massuda

Neste último setembro, os comunitários de Montanha e Mangabal foram para o mato com um GPS para seguir o limite do assentamento, deixando claro para quem quiser ver onde começa seu território. Os Munduruku honraram aliança e compareceram em peso para apoiar a autodemarcação de Montanha e Mangabal. Essa incursão por montanhas e vales deu uma amostra dos resultados da omissão do INCRA na região. Encontraram cortes ilegais de madeira, igarapés desviados e outros contaminados – esbranquiçados – por garimpos, remoções de palmitos de açaí, uma rede de ramais clandestinos. Em cada ramal, deixavam uma placa:

Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Montanha e Mangabal. Não é permitido entrar sem autorização, vender, comprar e arrendar terras.

A ação de demarcação não ficou sem resposta. Ao final de setembro, os cães de Montanha e Mangabal voltaram a latir raivosos. Garimpeiros entraram armados em pontos do assentamento, ameaçando os beiradeiros e dizendo que não sairiam do território. INCRA, MPF e Conselho Nacional de Direitos Humanos foram acionados e se comprometeram a monitorar o que se revela um dos capítulos mais sombrios da história de Montanha e Mangabal. Com uma história familiar a tantos amazônidas, Montanha e Mangabal pode se orgulhar de suas vitórias, mas parece nunca haver tempo para realmente desfrutá-las.

Foto de Fernanda Moreira

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